23/12/2025– Mulheres na História – O Lado Feminino Não Contado
Cleopatra VII (69 a.E.C.)
Desde o início de 2025, mergulhamos em uma jornada fascinante com a nossa série especial “Mulheres na História: O Lado Feminino Não Contado”. Nosso objetivo foi dar voz às mulheres que, embora tenham moldado a ciência, as artes e a política, foram frequentemente silenciadas ou reduzidas a notas de rodapé pela narrativa oficial.
Para encerrar esta série com chave de ouro, escolhemos a mulher que todos pensam conhecer, mas que poucos realmente compreendem: Cleópatra VII.
O que te contaram sobre ela?
Se a sua imagem de Cleópatra foi moldada por Hollywood ou por aulas de história superficiais, você provavelmente acredita que:
- Ela era apenas uma sedutora que usou Júlio César e Marco Antônio pelo poder.
- Foi a primeira ou única mulher a liderar o Egito.
- Era uma mulher movida apenas por caprichos românticos ou maldade.
- Seu poder era uma “concessão” de Roma.
Além do Mito: Quem foi a Sétima Cleópatra?
Embora a chamemos apenas de “Cleópatra”, ela foi a sétima mulher de sua dinastia (os Ptolomeus) a carregar esse nome. Filha de Ptolomeu XII, ela assumiu um Egito em crise financeira e agrícola, enfrentando secas severas no Rio Nilo que ameaçavam a espinha dorsal da economia do país.
Um dos maiores debates atuais é sobre sua raça. Como sua tumba e seu corpo nunca foram encontrados, o DNA permanece um mistério. Embora frequentemente representada como branca (devido à ascendência grega da dinastia), é muito provável que Cleópatra fosse uma mistura de diferentes raças e etnias, devido ao seu local de nascimento Alexandria, que nesta época tinha influencia Persa, Grega, Macedônia e Egípcia.
Diferente do que as lendas sugerem, o verdadeiro “poder de sedução” de Cleópatra era sua intelectualidade. Educada na elite de Alexandria:
- Ela era poliglota (falava grego, egípcio e várias outras línguas).
- Foi a primeira de sua dinastia a aprender a língua do povo egípcio.
- Era uma estrategista bélica e econômica experiente.
O Poder Feminino no Egito vs. O Resto do Mundo
Precisamos entender que Cleópatra não foi uma exceção isolada. A sociedade egípcia era muito mais progressista que a grega ou a romana. Antes dela, figuras como Hatshepsut e Nefertiti já haviam ocupado papéis de liderança máxima. No Egito, as mulheres podiam ser sacerdotisas, influenciar a política e gerir a economia — algo impensável para as mulheres romanas ou gregas da época.
A relação de Cleópatra com Júlio César e Marco Antônio é frequentemente descrita como um “Romeu e Julieta” do deserto. Na verdade, foram jogos de xadrez geopolítico.
O Egito devia fortunas a Roma devido a acordos feitos por governantes anteriores. Ao se aliar a esses líderes:
- Cleópatra garantiu a independência (ainda que frágil) do Egito.
- Ela ofereceu apoio bélico e diplomático a Roma.
- Teve quatro filhos (Cesarion com Júlio César; e três com Marco Antônio), todos reconhecidos por seus pais, o que criava laços de sucessão poderosos entre as duas nações.
A invenção da “Mulher Má”: A imagem de Cleópatra como “amante interesseira” foi, em grande parte, uma construção dos escritores romanos da época. Para Roma, era mais fácil pintar uma rainha estrangeira como uma “ameaça sedutora” do que admitir que seus generais estavam negociando com uma governante brilhante e soberana.
Cleópatra VII não foi uma vítima das circunstâncias, nem uma vilã de novela. Ela foi uma líder que lutou com as armas que tinha — inteligência, diplomacia e alianças — para manter seu reino vivo em um mundo dominado por homens e impérios em expansão.
Com este especial, encerramos a série Mulheres na História 2025. Esperamos que essas narrativas tenham inspirado você a olhar para o passado com novos olhos e a questionar: quais outras vozes femininas ainda aguardam para serem ouvidas?
Cleopatra – Alejandra Izquierda – 2025