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MAV Comenta: Participação das mulheres no mercado de trabalho

    27/01/2026Mulheres no Mercado de Trabalho: O Avanço na Participação vs. O Muro da Desigualdade Salarial

    O cenário do mercado de trabalho brasileiro em 2025 mostra uma dualidade. Por um lado, celebramos que a presença feminina é cada vez mais expressiva. Por outro, os números revelam que, embora ocupem mais espaços, as mulheres ainda enfrentam uma barreira invisível, mas muito real: a disparidade salarial.

    Com base nos dados recentemente divulgados pelo Governo Federal, exploramos o que mudou e o que ainda precisa de uma transformação urgente.

    O Lado Positivo: Mais Mulheres, Mais Protagonismo

    O crescimento da participação feminina é um reflexo de anos de luta, maior acesso à educação e políticas de incentivo. Segundo a notícia da SECOM, a entrada de mulheres no mercado de trabalho tem sido consistente, ocupando setores desde tecnologia até  gestão em áreas tradicionalmente masculinas.

    Este aumento não é apenas uma vitória social; é um motor económico. Famílias chefiadas por mulheres são uma realidade crescente no Brasil, e a sua inserção produtiva gera um ciclo positivo de consumo e desenvolvimento para todos. 

    Apesar do aumento do volume de contratações, o Relatório de Transparência Salarial acendeu um alerta vermelho. Mesmo quando possuem a mesma qualificação ou exercem funções idênticas, a remuneração das mulheres continua abaixo da dos homens. Em média, as mulheres ainda auferem cerca de 20% a 25% menos do que os homens.

     Curiosamente, os dados mostram que as mulheres no mercado costumam ter um nível de escolaridade superior ao dos colegas homens, o que torna a diferença salarial ainda mais injustificável do ponto de vista técnico.

    Ouro dado interessante é que quanto mais alto o escalão hierárquico, maior tende a ser o fosso salarial.

    Por que a desigualdade persiste?

    A notícia aponta que fatores estruturais ainda pesam na balança. A jornada dupla (o tempo dedicado aos cuidados da casa e dos filhos) muitas vezes impede que mulheres aceitem turnos extras ou promoções que exijam maior disponibilidade, algo que o mercado ainda penaliza severamente.

    Além disso, existe o viés inconsciente nas contratações e promoções, onde o potencial masculino é frequentemente sobrevalorizado em detrimento da entrega feminina comprovada.

    O Governo tem reforçado a importância da Lei nº 14.611/2023, que obriga empresas com mais de 100 funcionários a publicar relatórios de transparência. A ideia é simples: o que não é medido, não pode ser corrigido.

    A transparência permite que:

    1. Empresas identifiquem e corrijam distorções internas.
    2. A fiscalização seja mais eficaz.
    3. A sociedade acompanhe de perto a evolução de cada setor.

    Em conclusão, ter mais mulheres no mercado de trabalho é um passo fundamental, mas a quantidade não pode substituir a qualidade das relações laborais. A verdadeira justiça social e eficiência economica só serão alcançadas quando o valor do trabalho for medido pela competência e pelo resultado, e não pelo género.

    Ocupar o espaço é o primeiro passo. Ganhar o mesmo por isso é o direito que não pode mais esperar.

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    Referências:

      • https://www.gov.br/secom/pt-br/acompanhe-a-secom/noticias/2025/04/cresce-a-participacao-das-mulheres-no-mercado-de-trabalho-mas-persiste-desigualdade-salarial

     

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