20/05/2026- Mulheres na História – O Lado Feminino Não Contado
Sophie Blanchard: a primeira mulher aeronauta profissional
Sophie Blanchard (1778–1819 E.C.) foi a primeira mulher da história a exercer profissionalmente a aeronáutica, tornando-se um ícone pioneiro da aviação muito antes de existirem aviões. Ela encontrou no céu o lugar onde se sentia verdadeiramente livre.
Nasceu em 24 de março de 1778, na França, mas não existe registro de sua infância até seu casamento com Jean-Pierre Blanchard, um dos maiores pioneiros dos voos em balão. Foi ao lado dele que realizou sua primeira ascensão e descobriu sua vocação.
Após a morte do marido em 1809, Sophie decidiu continuar sozinha a carreira, tornando-se a primeira mulher a pilotar seu próprio balão e a viver exclusivamente dessa atividade.
Sophie realizou 67 ascensões registradas, muitas delas sozinha, algo extremamente raro e arriscado para a época. Ela se especializou em voos noturnos, iluminando o céu com pequenas lanternas e efeitos pirotécnicos, o que encantava multidões e ao mesmo tempo incrementava o perigo desses voos.
Sua habilidade chamou a atenção de Napoleão Bonaparte, que a nomeou Aeronauta dos Festivais Oficiais — um cargo de prestígio reservado a quem representava a França em eventos públicos. Após a queda de Napoleão, o rei Luís XVIII manteve sua posição.
Em 6 de julho de 1819, durante uma apresentação nos Jardins de Tivoli, em Paris, Sophie lançou fogos de artifício de seu balão — uma de suas marcas registradas. Mas essa vez houve um problema com os fogos de artificio e o gás, incendiando o balão, que perdeu altitude e caiu sobre um telhado. Apesar dos esforços em resgatá-la com vida, Sophie faleceu a causa do acidente. Onde foi enterrada se construiu um monumento com um balão em chamas em homenagem a carreira alcançada por ela.
Sophie Blanchard é uma das mulheres que abriram caminho em territórios onde nenhuma mulher havia sido autorizada a sonhar. Em pleno século XIX, quando mulheres eram desencorajadas a qualquer atividade pública, ela:
- conquistou reconhecimento oficial do Estado francês;
- viveu de sua própria profissão;
- tornou-se referência internacional em um campo dominado por homens;
- transformou o medo em liberdade — e a liberdade em espetáculo.
Sophie inspirou escritores como Dostoievski e Júlio Verne. Sua história inspira porque mostra que ousar pode ser um ato político, e que mulheres sempre estiveram presentes nas grandes conquistas humanas — mesmo quando a história tentou esquecê-las.
Acompanhe nossa série! Até a próxima história!
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