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MAV Comenta: Nós, mulheres, não andamos para trás. Caminhamos para frente

    11/08/2026MAV Comenta: Nós, mulheres, não andamos para trás. Caminhamos para frente

    Nas últimas semanas, tenho visto crescer nas redes sociais o posicionamento de um grupo de mulheres nos Estados Unidos que querem banir o direito das mulheres de votarem. Não somente, pessoalmente, não estou de acordo com essa postura, mas, independentemente da minha opinião pessoal, como Mulher de Alto Voo, quero trazer hoje para nossas leitoras e seguidoras o porquê esse posicionamento deve ser questionado com argumentos.

    A primeira coisa que devemos saber é que vivemos em um mundo onde ainda existe um domínio do patriarcado. O que isso quer dizer, na prática? Quer dizer que existe um domínio do ponto de vista masculino sobre o feminino, e isso não aparece apenas no direito ao voto ou na representação das mulheres nas empresas e nos cargos de governo. Vamos dar um exemplo muito mais próximo da nossa realidade: as doenças e a saúde.

    Medicamentos, tratamentos e protocolos foram, ao longo do tempo, desenvolvidos principalmente a partir da experiência e do corpo dos homens. Por isso, muitas vezes, os tratamentos não funcionam da mesma maneira no corpo da mulher. Por que isso é importante? Porque as indústrias farmacêuticas começaram a perceber, em seus testes clínicos, que um mesmo medicamento ou uma mesma dosagem não funciona da mesma forma para diferentes corpos, assim como não deveria ser igual para o corpo de uma criança e de um adulto.

    Um exemplo prático: nós aprendemos que os sintomas de um infarto são dor no braço esquerdo, dor no peito, suor frio, palidez, náuseas ou vômitos, tontura ou sensação de desmaio e falta de ar. Certo? Mas, se você for uma mulher, pode estar tendo um infarto e nem perceber, porque esses sintomas nem sempre aparecem da mesma forma para nós. Mulheres podem sentir falta de ar, náuseas, vômito, indigestão ou dor abdominal, dor nas costas, na mandíbula ou no pescoço. A dor no peito pode ser leve ou difusa, o que faz com que passe despercebida.

    Por muito tempo, as doenças, os tratamentos e os medicamentos não consideraram a perspectiva das mulheres nem as nossas necessidades. Em primeiro lugar, porque, em sua maioria, seu desenvolvimento era realizado por homens. A mulher foi ganhando notoriedade conforme foi ocupando espaços antes dominados por eles.

    Isso não é apenas uma questão de voto, de ter ou não ter o direito de votar. É uma questão de representação. Quando a maioria de uma junta médica, de uma equipe de desenvolvimento de um tratamento ou de um novo medicamento é composta por homens, as necessidades das mulheres podem passar despercebidas — assim como um infarto.

    O direito de votar, no contexto atual, não é um privilégio: é uma oportunidade de ter voz. Infelizmente, se olhamos o mapa abaixo, percebemos que esse não é um direito conquistado há tanto tempo assim, e nem sequer é um direito que todas as mulheres têm. Infelizmente o mapa só nos mostra Europa, mas nos países da América Latina foram ainda mais tarde. 

    Existem países onde as mulheres vivem sob o comando de um homem — um pai, um tio, um irmão ou um marido — e suas vidas não são melhores do que as vidas das mulheres que têm o direito de escolher livremente sobre si mesmas. Em muitas dessas sociedades, as mulheres não somente não podem votar, como também têm sua voz limitada: não opinam sobre sua educação, sobre o direito de escolher quem amar, com quem casar, se querem ter filhos ou se querem trabalhar dentro ou fora de casa. Uma coisa é escolher que alguém tenha voz por mim. Outra, muito diferente, é nem sequer ter o direito de escolher.

    A experiência passada, de um século ou menos, nos mostra que, no momento em que renunciamos ao voto, podemos renunciar a muito mais do que isso: às nossas vozes, aos nossos corpos, aos nossos direitos e à nossa liberdade de escolher quem somos e como queremos viver.

    Séries como O Conto da Aia nos mostram, ainda que pela ficção, como poderia ser a nossa realidade se isso acontecesse. Voltaríamos a ser escravas do corpo, do desejo e da voz de outro, alguém que não somente não nos representa, mas que também poderia nos oprimir. E por que pensamos isso? Porque é isso que a História nos mostra, não apenas a de um século atrás, mas também a atual. Antes de decidir entregar nossa voz a alguém mais, olhemos ao redor: países onde a mulher tem direitos profundamente limitados sobre sua própria vida e países onde temos “liberdade”, mas ainda assim os índices de feminicídio — assassinato de mulheres — continuam altíssimos. Se, mesmo quando temos voz e liberdade, nos tiram a vida somente porque acreditam ter esse direito, imagine o que poderia acontecer se entregássemos essa liberdade?

    Eu, Mulher de Alto Voo, não quero viver como viveram tantas mulheres antes de nós: sem direito a decidir quem amar, quem ser, o que fazer com minha vida ou quem deve me representar nos altos cargos de um governo. Caminhamos muito para chegar até aqui, e ainda falta caminho por percorrer. Mas acredito que esse caminho não é andar para trás. 

    As notícias a seguir nos mostram que esse é o caminho do futuro.

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