18/08/2026- Mulheres na História – O Lado Feminino Não Contado
Bem-vindas a mais um Capítulo da série: Mulheres na História, onde trazemos a luz a contribuição de diferentes mulheres ao longo do tempo para as mais diversas áreas: Filosofia, Arte, Literatura, Negócios, Ciência, Medicina, etc.
O Capítulo de hoje é sobre Rosalind Elsie Franklin.
Rosalind nasceu em Londres em 1920, em uma família judaica de banqueiros e desde cedo demonstrou talento excepcional para ciências e matemática incentivada pelos colégios onde estudou em que promoviam o estudo de carreiras científicas inclusive entre as meninas, algo incomum para a época. Além do interesse pela ciência, também lhe interessava as viagens e as aventuras e se apaixonou pela França.
Em 1941, formou-se em Ciências Naturais em Cambridge. Iniciou um doutorado em físico-química, mas, decepcionada com a falta de apoio do orientador, mudou-se para a British Coal Utilisation Research Association, onde pesquisou a estrutura física do carvão — trabalho que lhe garantiu o PhD em 1945. Esses estudos ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial e foram uma contribuição para o uso do carvão em diferentes aplicações. Rosalind também ajudou nas brigadas noturnas para prevenir os bombardeios.
Em 1947, Franklin se mudou para Paris para trabalhar com Jacques Mering, tornando-se uma especialista em cristalografia de raios X. Ali desenvolveu métodos rigorosos para analisar estruturas moleculares — habilidades que seriam decisivas para o estudo do DNA em 1951.
Quando Franklin ingressou no King’s College London em 1951, iniciou pesquisas sobre o DNA. Foi ali que produziu a famosa Foto 51, imagem de difração de raios X que revelou a estrutura helicoidal da molécula. A foto foi tirada por seu aluno Raymond Gosling, mas mostrada sem sua autorização a James Watson por Maurice Wilkins — episódio que se tornou símbolo do apagamento de sua contribuição. Até hoje os biógrafos discutem sobre o sexismo na Universidade na época que haveria levado Rosalind ao desentendimento com seus companheiros de trabalho, que após sua saída da Universidade se apoderaram de todos os estudos apagando sua contribuição.
Franklin mudou-se para o Birkbeck College, onde liderou pesquisas inovadoras sobre diferentes vírus, especialmente o vírus do mosaico do tabaco e o vírus da poliomielite. Seu trabalho abriu caminho para a virologia estrutural, área que estuda vírus por meio de cristalografia.
Rosalind Franklin morreu em 16 de abril de 1958, aos 37 anos, vítima de câncer de ovário. Muitos historiadores sugerem que a exposição prolongada à radiação dos equipamentos de raios X pode ter contribuído para sua doença, embora isso não seja conclusivo.
Em 1962, Watson, Crick e Wilkins receberam o Nobel de Fisiologia ou Medicina pelo modelo da dupla hélice — prêmio que Franklin não poderia receber, pois o Nobel não é concedido postumamente. Apenas em 2023 a comunidade cientifica reconheceu a contribuição de Rosalind para a descoberta do DNA e se tivesse vivido mais provavelmente haveria também recebido um Nobel de química mais tarde pelo estudo de outros vírus.
Franklin é símbolo de rigor científico, coragem intelectual e resistência em ambientes que marginalizavam mulheres. Sua história revela como a ciência é construída coletivamente — e como o reconhecimento nem sempre acompanha a contribuição real.
Te esperamos na próxima história!
Referências:
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- https://es.wikipedia.org/wiki/Rosalind_Franklin