MAV Recomenda: Hamnet
O que acontece quando uma das diretoras mais sensíveis da atualidade se une a uma escritora mestre em resgatar figuras históricas das sombras?
O resultado é uma obra magnífica, delicada e profundamente envolvente.
Estamos falando da colaboração entre Chloé Zhao (vencedora do Oscar por Nomadland) e a escritora Maggie O’Farrell. Maggie é celebrada por seus romances históricos que misturam fatos reais com uma imaginação vívida, e nesta adaptação, elas nos levam para a Inglaterra do século XVI para recontar a vida de um dos maiores nomes da literatura mundial, mas sob um olhar inesperado.
A História por Trás da Tragédia
O filme retrata a trajetória de William Shakespeare e sua esposa, Agnes, desde o encontro inicial até a devastadora perda de seu filho mais novo, Hamnet. É essa perda que, anos mais tarde, serviria de inspiração para uma das maiores tragédias da humanidade: Hamlet.
Por que você precisa assistir?
1. O Resgate da Protagonista Oculta Em primeiro lugar, autora e diretora entregam o protagonismo a Agnes. Em histórias de séculos passados, as esposas costumam ser apenas notas de rodapé. Aqui, Agnes é o centro. Mulher inteligente e conectada à natureza, ela possui uma sabedoria que não veio dos livros, mas das ervas e do instinto. Ela encarna o arquétipo da “Mãe Terra”, trazendo à tona a força da fertilidade e uma conexão quase mágica com a vida.
2. Um Amor de Cumplicidade A relação entre William e Agnes rompe o tabu cinematográfico de que, naquela época, os casamentos eram puramente transacionais ou violentos. O filme nos mostra carinho, cumplicidade e um amor profundo, sem cair na romantização barata. Vemos pais conectados emocionalmente com seus filhos, embora as sutilezas da época — como o peso da frase “É um menino” — ainda nos lembrem do contexto patriarcal em que viviam.
3. O Silêncio como Narrativa A fotografia e a filmagem são um espetáculo à parte. Zhao mantém seu estilo naturalista, cuidando para que a Idade Média pareça real: das unhas encardidas de quem trabalha na terra aos tecidos pesados das roupas, destacamos as cenas de Agnes na natureza e o contraste das cores. Os silêncios devastadores são bem usados e distribuído em todo o filme, criando uma conexão entre os personagens e o expectador e dizem muito mais do que qualquer diálogo.
É um filme sutil, poético e cheio de camadas. Prepare o lenço: é uma obra para se emocionar e refletir.
Assista e conte para nós: qual cena mais tocou seu coração?
Até a próxima dica!