24/02/2026– Mulheres correm uma maratona sem usar o hijab
“Tenho vontade de chorar só de pensar nisso. Estar ao lado de todas aquelas mulheres, nós nos sentimos tão livres”
No “MAV Comenta” deste mês, analisamos uma notícia histórica de dezembro de 2025: o marco de 2.000 mulheres iranianas que participaram de uma maratona, pela primeira vez no Irã, sem o uso do hijab (o véu obrigatório).
Mas, afinal, por que esse evento é tão emblemático?
A discussão sobre o uso do véu em países muçulmanos atravessa décadas. Embora em algumas regiões ele esteja estritamente ligado à fé e à tradição, em contextos como o do Irã, o hijab tornou-se a face visível de um sistema de controle e opressão.
A obrigatoriedade do uso não é apenas uma escolha de vestimenta; é uma demarcação do lugar da mulher na sociedade. Muitas vezes, essa imposição vem acompanhada de restrições severas: limitações no acesso à educação, subordinação jurídica a figuras masculinas (pais, maridos ou tutores) e a exclusão quase total de espaços de decisão política, majoritariamente dominados por homens.
Protestar contra essas normas não gera apenas sanções verbais. Em países onde o uso do hijab é imposto pelo Estado, a resistência é respondida com perseguições, agressões físicas e, em casos extremos, a morte.
A reportagem resgata a trágica história de uma mulher que perdeu a vida aos 40 anos simplesmente por ser vista em público sem o véu. O que torna o cenário ainda mais despótico é o uso da Inteligência Artificial (IA) para monitorar essas mulheres. O governo tem utilizado reconhecimento facial e rastreamento de veículos para identificar e punir quem ousa protestar.
A reflexão é urgente: enquanto a tecnologia deveria ser uma ferramenta de progresso e segurança, aqui ela é subvertida para vigiar rostos e carros de cidadãs que buscam direitos básicos. É o uso da inovação a serviço da repressão.
Correr é um Ato Político
A maratona dessas 2.000 mulheres nos mostra que o esporte nunca é “apenas esporte”. Cada quilômetro percorrido sem o véu foi um território recuperado. Elas não correram apenas contra o relógio, mas contra séculos de silenciamento e um sistema de vigilância tecnológica de última geração.
No MAV, acreditamos que a história é escrita por quem se move. Essas mulheres iranianas nos lembram que a liberdade é um exercício diário de coragem — às vezes, feita em passos rápidos, com o vento no rosto e o cabelo à mostra. Que o exemplo delas nos inspire a questionar: como estamos usando as nossas ferramentas, incluindo a tecnologia, para ampliar as liberdades em vez de cercá-las?
O mundo corre com elas. E o MAV conta essa história.
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Referências:
- https://www.gov.br/secom/pt-br/acompanhe-a-secom/noticias/2025/04/cresce-a-participacao-das-mulheres-no-mercado-de-trabalho-mas-persiste-desigualdade-salarial