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Mulheres na História -Hilma af Klint

    24/03/2026-  Mulheres na História – O Lado Feminino Não Contado

    Hilma af Klint (1862 a 1944 E.C.)

    Se você conhece Wassily Kandinsky, o famoso ícone da arte abstrata, a nossa “Mulheres na História” deste mês vai te surpreender. Apresentamos Hilma af Klint, uma mulher sueca que, no século XIX, tornou-se a primeira artista conhecida a pintar o abstracionismo — anos antes de Kandinsky e de outros precursores famosos como Piet Mondrian e Kazimir Malévich.

    Uma Formação de Vanguarda

    Hilma fez parte das primeiras gerações de mulheres na Europa a se formarem em cursos superiores de artes, estudando na Real Academia de Artes Sueca. Inicialmente, sua carreira seguiu o caminho tradicional: pintava paisagens e retratos botânicos com técnica impecável.

    No entanto, sua obra abstrata é o reflexo de uma experiência diversa e multidisciplinar. Ao misturar formas geométricas com elementos botânicos, ela não apenas criou uma nova expressão artística, mas uniu seus conhecimentos em matemática e sua experiência como desenhista técnica, onde teve contato direto com as teorias da evolução de Darwin.

    O Grupo “As Cinco” e a Busca pelo Invisível

    O toque final de sua genialidade veio da espiritualidade. Hilma entendia a arte como uma forma de interpretar a realidade além do visível. Com outras quatro artistas, fundou o grupo “De Fem” (As Cinco). Juntas, conduziam reuniões mediúnicas, estudavam diferentes religiões e realizavam pinturas experimentais baseadas em suas vivências espirituais e na escrita automática.

    O “Encontro Fatídico” e o Silêncio Forçado

    Sabe por que demoramos tanto para conhecê-la? Por um misto de cautela própria e desencorajamento externo. Hilma teve um encontro determinante com o filósofo Rudolf Steiner, a quem considerava um mentor. Steiner a criticou fortemente, afirmando que o mundo “não estava pronto” para sua obra ou para o ocultismo que ela trazia.

    Esse episódio a abalou profundamente, levando-a a parar de pintar por alguns anos e a deixar instruções claras em seu testamento: suas telas não deveriam ser divulgadas até 20 anos após sua morte.

    Coincidência ou Apagamento?

    Hilma faleceu em 1944, mas como nunca participou ativamente de movimentos artísticos comerciais, sua obra só chegou ao grande público em 1986. O que causa indignação é o contraste: enquanto a arte religiosa tradicional — dos anjos católicos aos afrescos da Capela Sistina — sempre foi celebrada, a exploração espiritual de Hilma foi rotulada como “imprópria”.

    Há fontes que sugerem que seu mentor manteve desenhos dela e chegou a mostrá-los a Kandinsky. Olhando para a cronologia e para as semelhanças visuais, fica o questionamento: teria sido mera coincidência ou um dos maiores casos de “inspiração” não creditada da história da arte?

    Hilma, que nunca se casou e dedicou sua vida à sua visão, faleceu em 1944*, deixando um acervo de mais de 1.200 obras ao seu sobrinho. Ele lutou por décadas para que o mundo visse o que ela havia criado, até que a primeira exposição oficial ocorreu em Los Angeles, em 1986. Impressionantemente, em suas últimas obras da década de 30, Hilma já parecia antecipar os horrores da Segunda Guerra Mundial.

    Hoje, a maior parte de seu legado — incluindo as monumentais ‘Pinturas para o Templo’ com mais de dois metros de altura — repousa em Estocolmo. Mas a verdadeira lição que Hilma nos deixa vai além das telas: o quanto de genialidade o mundo perde quando silenciamos uma voz? Quantas artistas, cientistas ou escritoras foram desencorajadas por uma crítica severa? Que a história de Hilma nos ensine a ser curadores do potencial alheio, e não seus censores. E você, já sentiu que o julgamento de alguém tentou apagar a sua luz?

    Acompanhe nossa série! Até a próxima história! 

    Referências:

     

     

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