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MAV Comenta: Misoginia não é opinião: por que precisamos seguir falando sobre isso

    08/09/2026MAV Comenta: Misoginia não é opinião: por que precisamos seguir falando sobre isso

    Existe no Senado brasileiro um Projeto de Lei para incluir a discriminação contra as mulheres dentro da Lei Antirracismo. Ao mesmo tempo, outros projetos tentam diminuir a força desse Projeto de Lei, reduzindo uma necessidade real de atuação a uma possível interpretação de quem vai julgar os atos. Na prática, isso deixa ao juiz a decisão de avaliar se o/a discriminador(a) realmente queria discriminar as mulheres ou se apenas estava expressando uma opinião.

    Esse argumento é vago, já que, por muitos anos, as mulheres estiveram à mercê da violência doméstica por um argumento parecido: o de que o que ocorria em casa era problema do casal, não do Estado ou da sociedade. Já sabemos como terminam muitos desses casos, normalmente na morte da mulher em questão.

    A realidade mais recente do nosso país demonstra que ainda precisamos proteger as mulheres de situações de violência e discriminação. Os números revelam que os feminicídios, assassinatos de mulheres que, em geral, têm a ver com questões de gênero, são mais frequentes no país e, em lugar de diminuir, continuam aumentando; por dia, em média, quatro mulheres são assassinadas por um indivíduo do sexo masculino.  

    Embora exista a Lei Maria da Penha para proteger as mulheres de situações de qualquer tipo de violência (física, emocional, patrimonial, moral e sexual), e embora ela exista há vinte anos, a violência parece não diminuir. Isso demonstra que a existência da lei é fundamental, mas não suficiente: ainda falta enfrentar as estruturas que sustentam essa violência.

    Nossa estrutura social coloca as mulheres em situação de vulnerabilidade: menos oportunidades de trabalho, salários mais baixos do que os que recebem seus companheiros de sexo oposto, a sobrecarga de uma dupla jornada e a omissão de políticas públicas que enfoquem temas relevantes para a mulher, como, por exemplo, as políticas e os protocolos de atenção à saúde. Tudo isso caminha junto com uma cultura que valoriza o que é masculino em detrimento do feminino, inclusive características historicamente atribuídas ao masculino, como assertividade, força, coragem, etc.

    Nós, aqui no Mulheres de Alto Voo, pensamos que entender um ser humano é vê-lo desde sua integralidade, a partir das características que o definem e que não são, em si, nem masculinas nem femininas, mas atribuições feitas ao gênero. A força não é uma característica exclusiva do gênero masculino: ambos carregam força e resiliência, e acreditamos que ser mais ou menos resiliente não é uma questão de gênero, mas uma questão de desenvolvimento, das experiências que o indivíduo teve em sua trajetória de vida.

    Nesta ordem de ideias, o feminino e o masculino devem estar em harmonia dentro de cada indivíduo para que cada pessoa possa acessar seu máximo potencial. Mas, enquanto existir uma inferiorização das características atribuídas ao feminino, como emoção, intuição, empatia, etc., a violência seguirá existindo, pelo simples fato de que, ao ver algo como inferior, a ação mais óbvia e automática é tentar dominar. E não existe dominação sem violência.

    Acreditamos em um mundo em que a dominação não seja a resposta, nem a violência ou a opressão. Seja a opressão interna, que reduz determinadas características que me constituem como sujeito, seja a opressão externa, que reduz o outro para dominar. Um mundo em que cada pessoa possa ser sua melhor versão deve deixar de lado essa necessidade de dominação e, para que cheguemos lá, é preciso colocar essas conversas sobre a mesa.

    As leis Antirracismo e Maria da Penha, assim como o PL da misoginia, são formas de trazer essa conversa, de mantê-la aberta e de nos posicionarmos como país e sociedade para dizer não à violência. São também formas de seguir trabalhando para que cada pessoa, e todas as pessoas, possam existir desde um lugar de dignidade e respeito.

    Aqui na MAV colocamos essas conversas sobre a mesa, com coragem, com propostas e com vontade de fazer a diferença. Porque falar sobre misoginia, violência e dignidade também é uma forma de abrir caminho para uma sociedade menos baseada na dominação e mais comprometida com o respeito.
    Convidamos você a conversar conosco!

    Esse artigo não foi escrito com IA.

    Veja a noticia origem que estamos comentando: https://iree.org.br/entenda-a-manobra-contra-o-pl-da-misoginia/

    Outras referências sugeridas:

    https://iree.org.br/como-reduzir-a-violencia-contra-as-mulheres/

    Livro: O gênero em disputa – Judith Butler

    Livro: Minha ferida existia antes de mim – Laura Llevadot

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