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Mulheres na História -Enheduanna (2285a.E.c.)

    16/06/2026-  Mulheres na História – O Lado Feminino Não Contado

    Enheduanna (a.E.c. 2285–2250 a.E.C): a primeira autora conhecida da humanidade

     Quando pensamos em “primeira autora da história”, raramente imaginamos uma mulher vivendo há mais de quatro mil anos, em meio ao nascimento das primeiras cidades, impérios e sistemas de escrita. Mas esse lugar pertence a Enheduanna — sacerdotisa, poeta, estrategista política e uma das figuras femininas mais influentes da Mesopotâmia.

    Seu nome significa “a sacerdotisa que é o ornamento do céu”, e foi conferido não de nascimento, mas para marcar sua posição naquela época para toda a sociedade e os inimigos de regiões próximas.

    Filha do rei Sargão de Acad, fundador do primeiro grande império mesopotâmico, Enheduanna nasceu por volta de 2285 a.E.C. e foi enviada ainda jovem para a cidade de Ur, onde assumiu o cargo de Suma Sacerdotisa do deus-lua Nanna.

    Esse papel não era apenas religioso — era político. Ao colocá-la ali, Sargão unia simbolicamente dois povos: os acádios (seu povo) e os sumérios (povo conquistado). Enheduanna tornou-se a ponte entre culturas, tradições e poderes.

    Mas o que a história oficial raramente conta é o que isso significava para ela como mulher:

    • viver sob expectativas divinas e imperiais
    • ser responsável pela estabilidade espiritual de um império
    • enfrentar disputas políticas que colocavam sua vida em risco

    Em um de seus poemas, ela narra ter sido expulsa do templo durante uma revolta. É a primeira vez na história que uma mulher descreve, com sua própria voz, a experiência de perder tudo — e lutar para reconquistar seu lugar.

    A primeira autora da humanidade

    Enheduanna não apenas escreveu: ela assinou o que escreveu. Isso a torna a primeira pessoa da história a reivindicar autoria literária.

    Entre suas obras mais importantes estão:

    • “Exaltação de Inanna” — um poema onde mistura política, espiritualidade e autobiografia.
    • “Hinos dos Templos” — textos que reforçavam a unidade religiosa do império.

    Sua escrita é marcada por algo profundamente feminino e atemporal: a capacidade de transformar dor em criação, caos em sentido, vulnerabilidade em força.

    O silêncio da história — e a redescoberta

    Por milênios, Enheduanna desapareceu das narrativas oficiais. Seu nome ficou enterrado sob camadas de poeira, guerras e esquecimentos.

    Foi apenas em 1927 que arqueólogos encontraram, em Ur, um disco de alabastro com sua imagem e seu nome — uma prova material de sua existência e importância.

    A partir daí, ela ressurgiu como pioneira da literatura, líder religiosa, figura política e símbolo da presença feminina na construção das primeiras civilizações.

    Por que Enheduanna importa hoje

    Porque sua história nos lembra que as mulheres sempre estiveram lá — criando, liderando, escrevendo, influenciando embora comumente suas contribuições fossem negadas ou ignoradas. Enheduanna é um lembrete de que a a voz das mulheres sempre encontrou caminhos para existir e resistir ainda que em ambientes inóspitos ou pouco favoráveis.

    Sua voz também importa, conte o que achou dessa história e da nossa série Mulheres na História – O lado feminino não contado.

    Referências:

    • https://pt.wikipedia.org/wiki/Enheduana

     

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